Estado perdeu 4,24 milhões de toneladas enquanto Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal ampliaram juntos a produção em 4,30 milhões; resultado regional ficou praticamente estagnado
Por Redação Folha do Estado de Goiás
14 de agosto de 2026
A redução da produção de grãos em Goiás praticamente eliminou todo o crescimento registrado pelos demais integrantes do Centro-Oeste na safra 2025/26.
Enquanto Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal acrescentaram juntos aproximadamente 4,30 milhões de toneladas, Goiás apresentou uma redução de 4,24 milhões de toneladas.
Na comparação aritmética, a retração goiana anulou 98,6% do volume adicional produzido pelos outros três integrantes da região.
Como resultado, a produção total do Centro-Oeste passou de 179,287 milhões para 179,349 milhões de toneladas, um crescimento de apenas 62,1 mil toneladas, equivalente a aproximadamente 0,03%.
Os cálculos da Folha do Estado de Goiás foram realizados com base no 11º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em 13 de agosto de 2026.
Goiás foi o único do Centro-Oeste com queda na produção
Entre as quatro unidades analisadas pela Conab no Centro-Oeste, Goiás foi a única que apresentou redução na produção de grãos.
| Unidade | Safra 2024/25 | Safra 2025/26 | Diferença | Variação |
|---|---|---|---|---|
| Mato Grosso | 112,396 milhões de toneladas | 114,962 milhões de toneladas | +2,567 milhões | +2,3% |
| Mato Grosso do Sul | 28,596 milhões de toneladas | 30,321 milhões de toneladas | +1,725 milhão | +6% |
| Goiás | 37,363 milhões de toneladas | 33,122 milhões de toneladas | -4,241 milhões | -11,4% |
| Distrito Federal | 931,5 mil toneladas | 943,4 mil toneladas | +11,9 mil | +1,3% |
| Centro-Oeste | 179,287 milhões de toneladas | 179,349 milhões de toneladas | +62,1 mil | +0,03% |
O dado da redução estadual de 4,24 milhões de toneladas foi inicialmente destacado em análise do Agronegócio Notícias, veículo especializado do Grupo Ideia Goiás.
A Folha do Estado de Goiás ampliou o levantamento para comparar o desempenho goiano com os resultados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.
Como a queda de Goiás neutralizou o avanço regional
Os três integrantes do Centro-Oeste que aumentaram a produção somaram um crescimento de 4,3033 milhões de toneladas:
- Mato Grosso: mais 2,5666 milhões de toneladas;
- Mato Grosso do Sul: mais 1,7248 milhão de toneladas;
- Distrito Federal: mais 11,9 mil toneladas.
Ao mesmo tempo, Goiás registrou uma redução de 4,2412 milhões de toneladas.
Depois de compensar a queda goiana, restaram apenas 62,1 mil toneladas de crescimento líquido em toda a região.
Isso não significa que Goiás tenha provocado a redução da produtividade ou interferido na produção dos estados vizinhos. Trata-se de uma comparação matemática do desempenho regional, usada para dimensionar o peso da retração goiana sobre o resultado agregado do Centro-Oeste.
Goiás aumentou a área, mas perdeu produtividade
A queda da produção goiana ocorreu mesmo com a expansão da área destinada às lavouras.
A área cultivada no estado passou de 7,593 milhões para 7,971 milhões de hectares, um aumento de aproximadamente 378,4 mil hectares, ou 5%.
Entretanto, a produtividade média caiu de 4.921 para 4.155 quilos por hectare, uma redução de 766 quilos por hectare, equivalente a 15,6%.
| Indicador em Goiás | Safra 2024/25 | Safra 2025/26 | Variação |
| Área cultivada | 7,593 milhões de hectares | 7,971 milhões de hectares | +5% |
| Produtividade média | 4.921 kg por hectare | 4.155 kg por hectare | -15,6% |
| Produção | 37,363 milhões de toneladas | 33,122 milhões de toneladas | -11,4% |
A queda percentual da produtividade foi mais de três vezes superior ao crescimento percentual da área cultivada.
Por isso, os novos hectares incorporados à produção não foram suficientes para compensar a redução do rendimento médio das lavouras.
Condições climáticas afetaram culturas importantes
A Conab registrou condições climáticas adversas em áreas produtoras de Goiás, especialmente durante fases decisivas do milho segunda safra e do sorgo.
No caso do milho, parte das lavouras foi semeada mais tarde devido ao atraso no ciclo e na colheita da soja. Com isso, algumas áreas passaram pelas fases de florescimento e enchimento dos grãos em períodos de menor disponibilidade de chuva.
A Companhia apontou fatores como:
- Plantio fora da janela preferencial;
- Atraso na colheita da soja;
- Falta de chuva em períodos críticos;
- Redução do potencial produtivo do milho plantado mais tarde;
- Temperaturas mais baixas e chuvas durante parte da colheita;
- Maior umidade dos grãos em algumas regiões.
No sudoeste de Goiás, aproximadamente 40% do milho segunda safra havia sido colhido até o final de julho, segundo o levantamento.
Sorgo teve produtividade revisada para baixo
O sorgo também enfrentou períodos de estiagem durante fases importantes do desenvolvimento das plantas.
Até julho, mais de 40% da área de sorgo em Goiás havia sido colhida. A produtividade parcial foi estimada em 3.065 quilos por hectare, abaixo dos 3.121 quilos por hectare indicados no levantamento anterior.
A revisão representa uma redução de 56 quilos por hectare na expectativa de produtividade do sorgo.
Milho e sorgo ajudam a compreender o cenário, mas não é correto atribuir toda a redução estadual de 4,24 milhões de toneladas apenas a essas duas culturas ou exclusivamente ao clima.
A produção total de Goiás reúne diferentes grãos, regiões, épocas de plantio e sistemas produtivos. O resultado estadual representa a soma desse conjunto.
Participação de Goiás no Centro-Oeste diminuiu
Na safra 2024/25, Goiás respondia por aproximadamente 20,8% da produção de grãos do Centro-Oeste. Na estimativa atual, essa participação caiu para cerca de 18,5%.
A redução foi de aproximadamente 2,3 pontos percentuais.
Mesmo permanecendo como uma das maiores forças agrícolas do país, Goiás perdeu participação dentro da própria região porque os estados vizinhos aumentaram a produção enquanto o volume goiano recuou.
Mato Grosso do Sul apresentou o maior crescimento percentual do Centro-Oeste, com avanço de 6%. Mato Grosso, maior produtor nacional, ampliou sua produção em 2,3%.
Centro-Oeste também perde participação na safra brasileira
A produção brasileira de grãos deve alcançar 360,75 milhões de toneladas, crescimento de 2,4% em relação às 352,27 milhões de toneladas da safra anterior.
Como o Centro-Oeste ficou praticamente estagnado, a participação da região na produção nacional caiu.
Na safra anterior, os estados do Centro-Oeste e o Distrito Federal representavam aproximadamente 50,9% do volume brasileiro. Na atual estimativa, a participação recuou para cerca de 49,7%.
A queda foi de aproximadamente 1,2 ponto percentual.
Isso não significa que o Centro-Oeste deixou de ser o principal polo produtor do Brasil. A região continua concentrando praticamente metade da produção nacional. O dado mostra, porém, que outras regiões avançaram em ritmo superior nesta safra.
Redução pode afetar diferentes setores da economia goiana
Uma safra menor pode produzir reflexos que ultrapassam os limites das propriedades rurais.
A movimentação de grãos influencia atividades como:
- Transporte rodoviário;
- Armazenagem;
- Secagem e beneficiamento;
- Comercialização de insumos;
- Prestação de serviços agrícolas;
- Manutenção de máquinas e equipamentos;
- Indústrias de alimentação animal;
- Arrecadação e circulação econômica nos municípios produtores.
Os efeitos, entretanto, não são uniformes. Algumas regiões, culturas ou propriedades podem registrar resultados melhores, enquanto outras enfrentam perdas mais acentuadas.
A redução estadual é um indicador agregado e não permite concluir que todos os produtores goianos tiveram o mesmo desempenho.
Armazéns cheios mesmo com uma safra menor
A Conab identificou unidades armazenadoras operando com capacidade máxima em determinadas regiões de Goiás. Também houve utilização de silos-bolsa como alternativa temporária.
Uma safra estadual menor pode coexistir com armazéns localmente lotados.
Isso ocorre porque a situação da armazenagem depende do ritmo da colheita, da concentração regional da produção, dos estoques anteriores, da velocidade de comercialização e da disponibilidade de transporte.
O problema reforça a necessidade de ampliar e modernizar a infraestrutura de armazenagem de grãos em Goiás, especialmente nas regiões com maior concentração produtiva.
As 4,24 milhões de toneladas não representam prejuízo em reais
A redução de 4,24 milhões de toneladas não pode ser apresentada diretamente como prejuízo financeiro.
O número mostra a diferença física entre os volumes estimados para as duas safras. Para calcular o impacto em reais seria necessário separar:
- A redução de cada cultura;
- Os preços praticados durante a comercialização;
- Os contratos antecipados;
- Os custos de produção;
- A qualidade e a umidade dos grãos;
- As despesas de secagem e transporte;
- As diferenças entre as regiões produtoras.
Sem essas informações, qualquer valor financeiro seria apenas uma projeção incompleta.
Também não é possível afirmar que a queda da produção goiana provocará automaticamente aumento nos preços dos grãos. O mercado considera a oferta nacional, a produção internacional, os estoques, o câmbio, as exportações e a demanda industrial.
Dados ainda podem ser revisados
Os números fazem parte do 11º levantamento da safra 2025/26 e ainda podem passar por ajustes.
A Conab atualiza suas estimativas conforme recebe novas informações sobre colheita, produtividade e condições das lavouras.
Os dados disponíveis em 14 de agosto de 2026 são os mais recentes publicados oficialmente, mas ainda não representam necessariamente o encerramento definitivo da safra.
Perguntas frequentes
Quanto Goiás perdeu em produção de grãos?
A produção estimada caiu de 37,363 milhões para 33,122 milhões de toneladas, uma redução de aproximadamente 4,24 milhões de toneladas.
Goiás foi o único estado do Centro-Oeste com queda?
Sim. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal aumentaram a produção, enquanto Goiás apresentou retração de 11,4%.
Quanto cresceu a produção total do Centro-Oeste?
O crescimento líquido foi de apenas 62,1 mil toneladas, equivalente a aproximadamente 0,03%.
Por que a safra goiana caiu?
O principal indicador foi a redução de 15,6% na produtividade média, apesar do crescimento de 5% da área cultivada. A Conab também registrou condições climáticas adversas em culturas importantes.
A queda de Goiás anulou quanto do crescimento dos vizinhos?
Em uma comparação aritmética, a redução goiana anulou aproximadamente 98,6% do aumento combinado de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Distrito Federal.
Goiás deixou de ser um grande produtor nacional?
Não. Goiás continua entre os principais produtores de grãos do Brasil. O levantamento mostra uma retração específica na safra 2025/26 e uma perda de participação regional e nacional.
Metodologia
A Folha do Estado de Goiás somou os volumes de produção apresentados pela Conab para Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal nas safras 2024/25 e 2025/26.
Os três integrantes que apresentaram crescimento adicionaram juntos 4,3033 milhões de toneladas. Goiás registrou redução de 4,2412 milhões de toneladas.
A divisão da queda goiana pelo crescimento combinado dos demais integrantes resulta em aproximadamente 98,6%.
Depois da compensação entre aumentos e redução, a produção total do Centro-Oeste cresceu somente 62,1 mil toneladas, aproximadamente 0,03%.
Os percentuais de participação regional e nacional foram calculados a partir dos volumes totais publicados no levantamento.
Fonte primária: 11º Levantamento da Safra de Grãos 2025/26 da Conab




